quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Entrevista a Nuno Vinhais, cabo do grupo de forcados amadores das Caldas da Rainha



Olhar Taurino (OT) - Como surgiu a vontade de pegar touros?
Nuno Vinhais (NV) - A vontade surgiu pelo desafio de alguns amigos, em especial o Emanuel Casimiro, que já pegavam no GFACR para ir treinar e eu que já costumava ir as corridas nas Caldas e tinha esse gosto, acedi ao desafio.
           (OT) - Qual a sensação quando se está cara a cara a um touro para realizar uma pega?
(NV) - Existem várias sensações, não apenas uma, e vai variando conforme os anos que se vai tendo. Numa primeira fase é pura adrenalina e mostrar toda a nossa vontade, depois começa-se a desfrutar mais da pega e toda a sua concepção técnica. Numa última fase é mais o compromisso com o Grupo e a responsabilidade de se estar bem.
       (OT) - Como correu a sua primeira pega?
(NV) - Devo realçar que como forcado fui sempre mais ajuda do que forcado de cara. Mas a minha 1ª pega de caras aconteceu apenas passado 8 temporadas e por isso não senti o nervosismo dos forcados quando começam a pegar. Foi uma pega normalíssima.
      (OT) - Sendo cabo do grupo das Caldas como vê o grupo esta temporada?
(NV) - Vejo provavelmente o GFACR no melhor momento de sempre desde que sou cabo. Estamos com leque enorme de forcados quer a pegar de caras quer de ajudas. Forcados ainda jovens mas já com provas dadas e com muito potencial.
      (OT) - Quantas corridas tencionam pegar esta temporada?
(NV) - Infelizmente muito poucas. Talvez umas 8 corridas, facto que me deixa muito triste, pois como referi na questão anterior estamos com um grupo capaz de pegar 15 corridas ou mais e aceitar qualquer desafio. Mas infelizmente os empresários não olham para as actuações do GFACR! Gostava que as contratações dos grupos de forcados se baseassem nas suas actuações.
       (OT) - O mundo dos forcados tem sofrido graves acontecimentos como a lesão do Nuno Carvalho e a morte de José Maria Cortes. Sendo de um grupo diferente como sentem esse tipo de acontecimentos?
(NV) - Apesar de sermos de grupos diferentes, é um meio pequeno e conhecemo-nos quase todos uns aos outros. São dois casos diferentes, o do Nuno Carvalho e o do Zé Maria, mas ambos deixaram-nos marcas de tristeza profundas e que nos fazem pensar muito na vida.
            (OT) - Qual a corrida ou a pega que mais o marcou na sua carreira?
(NV) - As corridas no 15 de Agosto nas Caldas da Rainha são sempre muito especiais, mas não gosto de me agarrar apenas a momentos que me possam marcar. Aquelas que me lembro mais são sempre as lesões e os toiros mais difíceis!
             (OT) - Numa breve explicação, diga-nos como funciona um grupo de forcados mais precisamente o das Caldas da Rainha.
(NV) - O GFACR funciona como um grande grupo de amigos. Nós todos temos fortes laços de amizade que vão além dos toiros o que faz com que sejamos muito unidos. Não estamos juntos apenas nos treinos e nas corridas.
Tentamos ser uma escola de valores onde se formam homens preparados para os grandes desafios da vida, dentro e fora de praça.
           (OT) -   Já pegaram touros aqui no Norte, como caracteriza a aficion nortenha?
(NV) - Vamos sempre ao Norte com muito prazer pois as corridas mais a Norte obrigam sempre a viagens, por vezes a dormidas o que faz com que sejam digressões muito giras para cimentar o espirito de Grupo.
Os aficionados do norte são gente que sentem muito as tradições portuguesas e que vão a uma corrida de toiros para se divertirem e por isso acolhem-nos sempre muito bem e com bastante alegria.




(NV) - A mensagem que deixo neste momento difícil do país, é que continuem a alimentar a sua afición. Não deixem de ir aos toiros, e que escolham bem as corridas onde vão premiando os artistas quando estão bem, e que sejam rigorosos e críticos quando estão mal.  

O blogue Olhar Taurino agradece a colaboração do grupo e especialmente do seu cabo na realização deste entrevista.
O blogue deseja as maiores felicidades a todos eles.
OBRIGADO!

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